Caminhando

Caminhando, mentalmente escrevi um e-mail-desabafo enorme e sem destinatário, embora um ou outro rosto amigo me viesse em mente enquanto eu destilava lamúrias, receios, dores e outros sentimentos nada atrativos que me apetecem esses dias. Se eu fosse o Chico Buarque, teria escrito um livro da Lya Luft entre as passadas que dei da Volta da Jurema até o aterro da Praia de Iracema (ida e volta, é bom constar) – não me levem a mal, até gosto da Lya Luft (gostei da metade dos livros que li dela e acho que li dois ou quatro).

Arnaldo Antunes cantarolava no mp3 player, a voz era vibrante e forte, mas o tom era triste, muito triste. Sempre é.  Sério, ele me faz chorar. E meu amigo-destinatário-imaginário pode culpá-lo por ter agravado a tristeza das linhas do e-mail. Sorte dele que me falta coragem para apertar o enviar, pois ele também não suportaria o que viria  anexo às palavras.

Azar o meu que ninguém me ouve (lê).  Sigo sozinha, mendigando atenção, sedenta por carinho, desviando dos estardalhaços das minhas companhias, reclamando das dores no tornozelo esquerdo, louvando cada pequeno gesto de amor que me é dado…  Mas só sobram telefones que não tocam, e-mails que não chegam, mensagem que não bipam no celular, campainha que não toca… E eu me condeno por esperar por isso, então, é quando Dylan entoa na minha mente: “I’m too sensitive or else I’m gettin’ soft”.

Amanhã vou caminhar ouvindo Kleiderman: “amor é uma coisa feia”. Caminhar não, vou correr (foda-se o tornozelo) para voltar em tempo de terminar a leitura de Um bestseller para chamar de meu. Daí vou me inspirar para escrever o meu próprio bestseller (muitos leitores sem rostos), no qual desabafarei à vontade (com muito ironia e sarcasmo de preferência) por trás de um alterego. É esse o plano.

Flores, frases feitas, o meu mundo é outro lugar…

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Estava (estou) relutante em escrever algo sobre. Não que intensifique a dor, ela é intensa em qualquer momento, mas sempre pulsa mais rápida se começo a falar a respeito. No entanto, também parece que se dissolve um pouco. Tudo tem dois lados e tudo tem mel e tem sal, já diria um sábio compositor de lugar nenhum.

Uma vez ouvi a seguinte sentença: Quando se perde um pai, você não sabe mais como viver num mundo sem ele. Eu realmente até hoje, quase 15 anos depois, ainda não aprendi. E agora que perdi minha mãe, o mundo me parece outro, sem um amor incondicional que me protegia de tudo. Agora estou sem defesas, sem minha guarda-costas, sem meu porto seguro. Sou, a partir de agora, um alguém carente de muito e com inúmeras batalhas pela frente, por mim e pelos meus irmãos.

Minha mãe não morreu para nós apenas no dia 26/08, vinha morrendo a cada dia nos últimos três meses. Cada notícia, cada exame, cada tratamento, era por vezes esperança movida pela nossa fé, mas quase sempre um baque resultando em sofrimento e angústia. Nessa guerra, ninguém foi mais forte do que ela. E para nós, fica essa certeza diante de tantas incertezas que nos resta na nova etapa de nossas vidas.

Acredito que quem me observa de longe, ou imagina que sou uma fortaleza ou uma pedra de gelo, já que evito ter rompantes de tristeza em público. Nem uma coisa, nem outra. Sofro em silêncio ou me desvio das lágrimas porque não conheço outro jeito. Porém, quem prestar atenção, talvez ouvirá que meu silêncio ensurdece o maior dos gritos. Ser introspectiva e concisa agora não é mais apenas uma característica da minha personalidade, mas um escudo para as minhas emoções. Meu luto não é exposto, é sentido.

Sem mais delongas, eu queria mesmo era falar de algo que herdei da minha mãe: a capacidade de atrair boas pessoas para a minha vida. Minha mãe nunca foi um dos seres mais fáceis de conviver (eu também não, embora por motivos bem diferentes), no entanto, soube cativar muitos, os melhores, diria. Sinto isso mais do que nunca, com pessoas que agora nos rodeiam dando proteção e força. Sem elas, não sei como estaríamos…

Eu também tenho minhas pessoas, as melhores, as mais bonitas, os seres mais incríveis que alguém poderia ter ao lado, mesmo que morem a 4 mil kms de distância. Por vezes chego a indagar se mereço tanto, provavelmente não. Mas dentre as injustiças do mundo, dessa não posso reclamar, só agradecer e muito.

Devido algumas dessas minhas pessoas e  na companhia delas, passei os últimos dias numa espécie de universo paralelo, guiada pela música, acolhida por corações abertos e regada de sorrisos.

Passei pelo interior do Rio Grande do Sul, que para mim já é a melhor região de som e ritmo. O mais puro rock’n'roll entoado pelas estradas sulistas. De lá para uma Curitiba chuvosa, que apesar disso e da fama de anti-social, (ou exatamente por isso – os iguais se atraem) ainda é meu amor espacial mais antigo. Outrora platônico, agora até sinto uma certa reciprocidade. Poderia muito bem ser uma curitiboca com orgulho. Por fim, Belo Horizonte. Meu caso com a capital mineira foi paixão a primeira vista, agora, depois de quatro encontros, vivemos um amor maduro, à distância, mas intenso.

Mas o que seriam das cidades sem seus exímios habitantes? O que seria de mim sem minha gaúcha, minha catarinense, minhas curitibanas, minhas mineiras, minha pernambucana, meu maranhense e outros tantos espalhados por esse meu Brasil e pelo mundo? Seria tudo mais difícil e eu seria ainda mais cinza, carente e frágil.

Sigo um pouco mais forte, não só por esses com quem viajei recentemente, mas também por todos os outros, de perto e de longe. Não são poucos, nem muitos, são suficientes. Sem jeito, como sempre, mas com convicção,  como nunca, digo: Amo vocês!

Hoje aqui, amanhã não se sabe…

Você disse? Eu te amo. Eu não quero viver sem você. Você mudou a minha vida.  Você disse? Faça um plano, tenha um objetivo. Trabalhe para alcançá-los, mas de vez em quando, olhe ao seu redor e aproveite, porque é isso. Tudo pode acabar amanhã.

O parágrafo acima foi a narração que encerrou o emocionante e chocante final da quinta temporada de Grey’s Anatomy. Mais uma vez as palavras da Meredith se encaixaram perfeitamente nas cenas.

Então, antes que o universo, de repente, convertar seus  dias em horas de agonia e fé. Sem certezas para o amanhã, tentando sobreviver ao hoje e apegando-se ao ontem. Percebendo, da pior maneira, que tudo pode acabar ou mudar radicalmente e, na maioria das vezes, sem aviso prévio. Entregue-se aos bons momentos, abrace suas pessoas, sorria, dê valor ao que importa, deixe as miudezas tristes de lado nem que seja por uma fração de segundo. Esses momentos ainda farão toda a diferença. Acredite.

Fraternidade

Nota prévia: No episódio 1.17 Santa Ceia, do Em Família, escrito pelo Rod, eu escrevi um texto em nome da personagem Nora Andrade, uma senhora que aos 60 anos resolveu ter um blog. Embora por motivações diferentes, eu me identifico com o texto (e confesso, foi inspirado um pouco nas minhas próprias experiências também, claro), e se você tem a infelicidade e a dádiva de ter um irmão, talvez também se identifique. Com a palavra, Nora Andrade:

As minhas lembranças infantis de Natal se resumem em muitas orações e comidas por parte de minha católica mãe, em bebida e canções por parte do meu boêmio pai, e risos e traquinagens por parte dos meus alegres e irritantes irmãos.

Apesar de ser a filha do meio, nunca sofri com a síndrome do filho-sanduíche, pois, por sorte, era a única mulher, com todos os mimos e pressões que se tinha direito na época. Por sorte também, meu irmão mais velho era um altruísta de carteirinha, incapaz de fazer mal a uma barata. Além de toda essa generosidade, era responsável, idealista, inteligente, apaixonado, apaixonante e bem-humorado. Um sonhador nato. Difícil é acreditar que todas essas suas qualidades talvez o tenha levado a seu fim trágico. No entanto, sem antes me servir de exemplo de vida.

Meu irmão mais novo sempre foi uma enigmática contradição. Embora fosse o mais calado, era também, em certos momentos, o mais espevitado. Sempre agia na surdina, por isso ninguém desconfiava dele quando a pia do banheiro ficava aberta até começar a invadir água por toda a casa. O mais velho acabava levando a culpa, claro. Sonso, o mais novo sempre abria o berreiro para alegar sua inocência. Os juízes, nossos pais, sempre ficavam comovidos com tamanha candura. Mas ninguém, nem mesmo o mais velho, que heroicamente ficava de castigo em seu lugar, conseguia ficar por muito tempo com raiva dele, o sonso do sorriso mais luminoso que já vi.

Do mais velho, eu tinha o exemplo, a proteção e o carinho. Do mais novo, a cumplicidade, a empolgação e a minha eterna preocupação sobre seu bem-estar, o mimado.

Irmãos são assim, às vezes os odiamos com uma intensidade que nunca odiaremos algo ou alguém. Mas também somos os primeiros a partir em sua defesa quando alguém o chama de feio. Doaríamos, depois de muito pestanejar, claro, um rim ou até mesmo o seu coração para não vê-lo sofrer (muito).

Com irmãos você divide tudo: brinquedos, pais, doces, atenção, quarto, carinho, problemas familiares, piadas internas e olhares cúmplices. Eles já te viram nos seus melhores e piores momentos. Nos mais constrangedores aos mais venturosos. São os primeiros a rirem da sua cara, mas também os primeiros a lhe darem a mão quando você tropeça e caí de cara na calçada. E, mesmo com uma ponta de inveja difícil de disfarçar, eles são os mais genuinamente felizes por suas conquistas.

Irmãos são os seres mais diferentes e mais parecidos com você no mundo inteiro. Assim, naturalmente, conflitos, parcerias, abraços e tapas são constantes numa relação fraternal. Isso se você tiver sorte, claro. Porque o pior do que todo esse furacão de sentimento é a indiferença que já vi em alguns irmãos por aí.

Por gostar tanto desse negócio de irmão, dei quatro para cada um dos meus filhos. E uma das maiores felicidades da minha vida é saber que mesmo entre trancos e barracos, eles são um time unido, do tipo um por todos e todos por um.

Sabe, eu não me lembro da minha vida sem irmãos. Eu ainda carrego a dor de ter perdido um tão prematuramente e estupidamente. Agora me vejo, aos poucos, perdendo outro. Por motivos tolos? Por orgulho ferido? Por não ser condizente com seus passos? Por não saber perdoá-lo e aceitá-lo?

Irmãos você não escolhe. É sorte. E é pra sempre.


Nota posterior: Agora eu, uma jovem adulta de 20 e poucos anos, resolvi ter um Twitter. Ainda não sem bem como, nem porquê, mas estou .

Breve diário de viagem

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Adoro conhecer novos lugares, pessoas, entender a dinâmica e as peculiaridades de cada cidade, encontrar semelhanças, se encantar com as diferenças e notar que isso forma um bolo só (para o bem e para o mal): Brasil. E foi bem isso que aconteceu pelo Sul. Vamos por partes, ou melhor, por cidades.

Porto Alegre/RS

Juro que achei que ao desembarca na capital gaúcha naquela tarde ensolarada, eu realmente ia me deparar com um outro país. Mas não é que esse outro país parece bastante com o meu? Em termo de pessoas e arquitetura. Guardada as devidas proporções, claro. Enfim, não consegui conhecer muito de Porto Alegre, mas já simpatizei total com a cidade e seus habitantes.

No show dos Titãs que assistir por lá, no bonito e moderno Teatro Bourbon Country, a platéia estava animadíssima, e Paulo Miklos revelou uma vontade da banda de ser gaúcha por aquela semana (que fariam uma mini turnê pelo estado), em resposta, o público bairrista começou a gritar “eu sou gaúcho”. Com isso, Sergio Britto (e seu pé atrás com o ufanismo) alertou e sentenciou que somos, no final das contas, de lugar nenhum. Bem propício, já que eu, uma cearense, estava nessa viagem (e nesse show) acompanhada de uma gaúcha, uma catarinense e uma paranaense (depois ainda se juntaram mais duas dessa laia).

Lajeado/RS

Cidade pequena. Poucos táxis disponíveis. Hotel meia boca. Pessoas irritantemente efusivas. Lajeado foi a que proporcionou os momentos mais tragicômicos da viagem.

Não se tinha muito o que ver ou fazer por lá, mas o nosso único objetivo era chegar até Muçum, uma cidade ainda menor (bem menor), com por volta de 3 mil habitantes e mais ou menos uns 40 minutos de Lajeado. O show foi numa espécie de boate, com direito a todos os chatos tuts, tuts, tuts martelando no ouvido antes e depois do show. Sem contar os nossos companheiros de van, que insistiam em cantar de funks a hinos religiosos, passando, claro, por canções gauchescas. Dor de cabeça bombando.

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Passo Fundo/RS

Hora de começar a subir a serra. Assim que cheguei a Passo Fundo, vi que os nativos da cidade andavam bem agasalhados, o que me deixou temerosa. Afinal de contas, se eles estavam sentindo frio, eu iria congelar. E quase congelei mesmo, mas eu nasci para o frio (até minha pele e meu cabelo ficam melhores com os ares sulinos), então, tirei de letra.

O hotel era bacana, mas os funcionários eram meio panacas. Não entendia coisas obvias e se atrapalhavam tanto que até nos confundiam. Bom, o importante é que nessa altura da viagem, já éramos uma entrosada turma de seis pessoas maravilhosas. A sintonia era tanta que surgiam novas piadas internas a cada segundo. Sem duvidas, uns dos dias que mais ri na vida. Aliás, nesse dia ninguém dormiu, ficamos rindo até a hora de tomar café.

E em plena sexta-feira santa, andamos uns 35 km e fomos berrar os versos do bendito e maldito rock na também pequena Marau. Consta que o padre da cidade até tentou cancelar o show. De certo, nosso santo era mais forte.

Nova Prata/RS

Quase que eu e a caterinense fomos para Gramado encontrar com a amiga pernambucana, que estava passando o feriadão com a família por lá. Mas não encontramos uma vaga em hotel, nem um assento de ônibus sequer, portanto, seguimos subindo a serra gaúcha em direção a charmosa Nova Prata.

A cidade era tão pequena e encantadora, que os próprios taxistas nos aconselhava a ir a pé para os lugares. Arrastando malas, chegamos ao hotel-shopping, que por sua vez era, segundo a recepcionista, uma, duas, três ou quatro quadras no Grêmio Pratense, local onde teríamos que estar naquela noite.

O frio era grande, mas a noite foi cheia de calor humano. O mais memorável foi a música que Paulo Miklos dedicou a nós durante o show. Não existe o amor, apenas provas de amor. E a madrugada seguiu regada de champanhe, riso e rock’n'roll.

O dia seguinte era domingo de ramos, então, tivemos o nosso almoço pascoal. Um almoço um tanto quanto surreal, já que no mesmo recinto gastronômico estava a banda de rock e uma senhora que comemorava seus 80anos com toda família.

A comida do Estrela do Sul, restaurante de beira de estrada, deixou a desejar, mas como somos uma turma sensacional, nosso papo e nosso ovo de páscoa foram transcendentais. Você tem fome de quê?

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Águas de Chapecó/SC

Finada a turnê, fui com a catarinense para sua terra natal. Cidadizinha tranqüila e cheia de pessoas do bem, mas com um sotaque que às vezes me faziam duvidar se falavam realmente português. Quem sabe misturassem com o alemão ou italiano, tão comum para aquelas bandas.

Por lá, acabei até conhecendo uma hidrelétrica e provavelmente a metade da cidade. Gostei de tudo.

Curitiba/PR

Eu tinha uma paixão platônica pela cidade e não me decepcionei. Lugar lindo e verde. Frio e hospitaleiro. Conheci o oil man (figura pitoresca que besunta a pele de óleo e sai apenas de sunga pelas ruas da cidade), comi pinhão, andei muito, me encantei e constatei que eu nasci para morar pelo Sul, especialmente na capital paranaense.

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Em resumo, apesar de eu ter adorado o Sul e todos os shows, o melhor foram as pessoas que me acompanharam nessa maratona de passeio e música. Afinal, qual a probilidade de viajar com amigos que, em um olhar, você se dar conta que são praticamente de infância e que são pra sempre? Sem dúvidas, ganhei na loteria da amizade.

Sobre mim e os meus personagens

Você assiste a um filme, ler um livro, vê uma novela, acompanha uma série, e, num determinado momento, numa cena, numa fala, num olhar, numa lágrima, numa piada, num riso, tchanran! Acontece, e você pensa (ou até berra, quem sabe): “essa personagem sou eu!” Esse tipo de identificação já aconteceu comigo algumas vezes. Encontrei em alguns seres fictícios algo como uma mistura de quem eu sou, quem eu gostaria de ter sido e/ou quem desejo ser.

31 Lorelai Gilmore (Gilmore Girls): As pessoas não entendem suas piadas, nem o que ela fala. Fala rápido e tem fobias esquisitas. Ela não se entende com sua mãe, e as duas vivem em atritos. É um tanto quanto ácida nas brincadeiras e faz graça sarcástica nos momentos críticos. É refém da sua mente mirabolante e complica coisas simples. Adora café, pizza, chocolate e conversas aleatórias. É independente e carente. Determinada e indecisa. Segura e atrapalhada. É uma gostosa contradição. E se gosta muito de algo, pode revê-lo (ou lê-lo) várias vezes.

Em certos momentos me sinto o tanto quanto Lorelai e quando eu crescer quero ser igual a ela.

4Meredith Grey (Grey’s Anatomy): “Dark and twisty inside”. Sombria, complicada, cheia de traumas e inseguranças. Impulsiva, realista (ou seria pessimista?), carente e indecisa. Dança para evitar os problemas, mas dança mal. Acredita e confia nas pessoas, mas acaba quebrando a cara. Tem medo de se entregar, porque já se entregou demais e o resultado foi traumático. Não é de desabafar, fazer drama e sair contando cada infortúnio ou ventura da sua vida até para os melhores amigos. Fala pouco sobre si, ouve muito sobre todos.

Enfim, eu posso até fingir que sou a espirituosa Lorelai, mas no fundo, sou mesmo é a danificada Meredith. Pelo menos eu tenho minha (s) Cristina (s) Yang pra chamar de my person nos momentos críticos. Só falta o McDreamy.

113077_314Sarah Walker (Brothers & Sisters): A Sarah é meu lado irmã mais velha  com complexo de cuidar de todos e de ter que carregar (ou simplesmente nos dão) a responsabilidade de tudo. No meu caso, família e amigos estão no pacote. E ainda tem que dar o exemplo. Ela também tira as palavras da minha boca. Volta e meia ela tem tiradas que eu já havia dito ou diria nas situações em questão. Pensamos e agimos parecido.

Só queria ficar mais parecida com ela com o tempo também, adquirir um pouco mais de confiança e sensatez que ela tem. Em tempo: eu seria um pouco também do seu cínico (no bom sentido) irmão Kevin Walker.

2Chandler Bing (Friends): Ser sarcástico para esconder os verdadeiros sentimentos é uma característica que está presente em todos os meus personagens, mas em especial no Chandler isso é mais notável, talvez porque comédias são assim mesmo mais exageradas. Enfim, às vezes só nos resta fazer graça da desgraça mesmo.NUP_103722_0681

Matt Albie (Studio 60): Simples: Se eu fosse homem, eu seria igual a ele. Fato. Com todas as neuroses, vícios e paixões (e, quiça, talento também).

Sara e Carol Andrade (Em Família): Bom, como são personagens que eu ajudei a construir, naturalmente elas tem um pouco de mim. Na verdade, bastante, porque acabei sendo responsável pelo rumo das duas na história. Carol um pouco menos. Já a Sara é quase eu, só que numa versão ampliada e melhorada. Coisas que só a ficção pode fazer por você.

Asteriscos sobre o tour pelo Nordeste

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* A vida é cheia de pequeno prazeres, e eles, em sua esmagadora maioria, são fugazes. E a tentativa de prolongá-los pode ser muito frustante.

* João Pessoa tem os  cartões-postais mais enganosos que eu já vi. E os caixas eletrônicos de lá são esquisitos.

* São Luís tem as tarifas de táxi mais baratas, em compensação os cartões-postais mais caros.

* Lençóis Maranhense é realmente lindo.

* Já Porto de Galinhas não é essa coisa toda que divulgam, mas bem bonito também, como todo litoral que se preze.

* Eu amo Recife quase tanto quanto seus moradores amam. É a cidade mais ufanista que eu já conheci, além de incrivelmente cultural.

* Eu também amo minha Fortaleza. O melhor transporte urbano do Nordeste.

* Não se tem muito o que fazer em Natal se você não gosta de praia. Mas lá você pode até andar de dromedários! Awesome!

* Não importa o lugar, nem as condições climáticas. O horário, o motivo ou a programação. O que vale é a companhia, ela transforma uma tarde chuvosa dentro de um shopping maranhense em um momento inesquecível. Ou uma ida frustrada ao pôr-do-sol mais badalado da Paraíba em risadas e planos sonhadores para vida.

* Saudades dá depressão.

* Voltar à vida normal é difícil, principalmente quando você não está lá muito satisfeita com ela.

* Estou com preguiça da realidade. Às vezes sequer eu consigo dar conta de existir.

* Alguns momentos me fazem acreditar na vida. Algumas pessoas me fazem acreditar na humanidade. E tudo isso ainda me faz acreditar um pouquinho em mim.

* Eu tenho os melhores amigos do mundo.

* O 14 de março desse ano talvez tenha sido o melhor 14 de marços dos últimos 24 anos.

Águas de março

“Quem determina quando o velho acaba e o novo começa? Não é o calendário, não é um aniversário, nem um ano novo – é um evento”
(Meredith Grey, Grey’s Anatomy)

Apesar das sempre constantes chuvas de verão, dos meus sempre presentes resfriados por causa das chuvas de verão e  do fato de eu  ficar um ano mais velha exatamente nesse mês, eu adoro o mês de março.

Para muita gente, o ano começa depois do carnaval, para mim começa agora, depois do dia 14/03, o que na minha cabeça faz total sentido, já que sempre fui obcecada em ligar tudo à minha data de nascimento.

Whatever, fato é que dia 14/03 embarco numa tour pelo Nordeste com minha amiga do Sul. Partimos daqui de Fortaleza e passaremos por Recife, Porto de Galinhas, João Pessoa, Natal, São Luiz e Lençóis Maranhenses. Vou tentar postar sobre a viagem durante a mesma, mas caso não apareça, já sabem o motivo.

Feliz ano novo!

Das notícias que me chocam

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Não sei cantar nem o refrão de nenhuma música da Rihana e muito menos de uma do Chris Brown, mas as notícias recentes envolvendo o casal de jovens cantores me chamou a atenção por dois motivos (além dos óbvios, claro): 1 – Quando foi que eu fiquei mais velha do que os artistas teen pops? (parece que ele tem 21 e ela 20 ou o contrário) 2- Quando foi que os ídolos pops passaram a frenquentar as páginas policiais? Nãã, prefiro os Backstreet Boys! Quero as boy bands dos anos 90 de volta ao topo, pelo menos eles são mais velhos do que eu, virgens e santos.

Outra coisa, vocês também souberam que Túlio Maravilha (jogador de futebol) almeja um dia chegar a presidência da república?

Ah, e nem vou comentar do bispo pernambucano que excomungou os envolvidos no aborto da garota de 9 anos, porque, sinceramente, não tem a menor graça.  É simplesmente lamentável.

Sem linha no horizonte

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Defino ressentimento como algo oposto ao sentimento, mas que sensibiliza do mesmo jeito, mas de uma forma negativa, bem daquela que você não consegue manter a cabeça erguida ou conter as lágrimas. Você enxerga além, e isso ao invés de ser surpreendente e primoroso, é triste e doloroso. É esperado, mas te pega sem aviso.  É como um tapa na cara sem motivo, um tiro no pé numa corrida. É errar ao vivo a música que você sabe de cor,  é  perder o vôo (e o rumo) por um minuto de atraso. Enfim, é uma adversativa que nunca consegue colocar um ponto final.

***

Só queria dizer também que o novo cd do U2, No Line On Horizon, está ótimo.  Incrível como esses irlandeses sabem fazer músicas que tocam minha mente, alma e coração, e ainda me fazem querer  “stand up” e ” I’ll go crazy if I don’t go crazy tonigth”, e sair cantarolando e chacoalhando o esqueleto por aí.  Sim, eu danço sozinha no quarto.

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