Morrer: verbo transitivo

Abril 20, 2008 at 10:28 pm (Constatações, Seriados, Séries que amo, Tiraram as palavras da minha boca)

- Por que as pessoas precisam morrer?
- Para que a vida seja importante.

Morrer é verbo intransitivo. Quem morre, morre. Certo? Não, se você pegar um programa único como Six Feet Under (A Sete Palmos) que gira em torno da funerária da família Fisher. Via de regra os episódios sempre começavam com uma morte, que podia ou não ter ligação direta com o enredo. Durante as 5 temporadas, vimos vários tipo de mortes. Serenas, bizarras, pitorescas, doloridas, trágicas, inesperadas… Fato é que a morbidez era um sentimento pulsante na série, mas estava longe de ser o único.

Ousada, como tradicionalmente as séries da HBO são, Six Feet Under não nos poupava de tocar em assuntos e sentimentos que, em geral, ninguém gosta de mencionar e fingem, dentro de sua hipocrisia e moralismo, que não existem. Sexo, drogas, homossexualismo, incesto, traição, religião, aborto. A sensibilidade dos temas também não impedia que fossem tratados com profundidade ou sob óticas diversas. A vida é tragicômica e o seriado reflete isso, não só com humor negro, mas com situações que beiram o surreal, dando margem para sonhos, visões e alucinações que eram reflexos da repressão e angústia existencial dos personagens.

E os personagens, ah, os personagens são imperfeitos, sombrios, danificados e perturbados, mas são também encantadores, cada um ao seu modo. Não foi difícil se apegar aos Fishers e seus agregados. Ruth, Nate, David, Claire, Brenda, Rico, Keith, George, apesar de por vezes nos decepcionarem com suas atitudes, humanas acima de tudo, sofremos com eles e assim como eles, sofremos em silêncio, e aceitamos seus defeitos e entendemos suas fraquezas, mais do que qualquer psicólogo. Profissão, a qual, aliás, a série pegou para cristo, criticando e zuando sempre que possível, assim como ao governo Bush, o quê, claro, só vem a somar pontos positivos.

Resultado de uma série de ótimos fatores (elenco, roteirista, produção, direção), Six Feet Under, além de atípica (qual outra se desenvolve em volta de uma funerária?) é, no conjunto geral, perfeita. O final, então, deixou meus resistentes olhos cheios de lágrimas.

Tudo acaba em um momento, talvez seja esse o grande lema da série. E, no caso, Six Feet Under, terminou como começou, excelente.

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Box Fechado

Abril 17, 2008 at 4:42 pm (Seriados)

Agora eu estou falando de séries também por aqui.

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Conto de fadas

Abril 13, 2008 at 10:02 pm (Filmes) ()

Ter crianças na família pode significar ter que assistir “Espanta Tubarão” dublado pelo Paulinho Vilhena, numa sala de cinema lotada de pequenos seres gasquitos que acham super legal fazer guerra de comida em local público. Mas, eventualmente, também pode significar um filme da Disney meigo, musical e mágico numa tarde de domingo, na tranquilidade do seu lar.

Encantada é uma história de uma futura princesa que é banida no mundo das fantasias pela bruxa má. A princesa, obviamente, acredita em príncipe encantado, beijo verdadeiro de amor e no famigerado felizes para sempre. Quando ela se depara com o mundo real, com seres reais e problemas reais, ela passa a questionar tudo isso, mas sem deixar seu encantamento de lado. O filme é leve, divertido e romântico. Ah, e ainda tem o lindo Dr. McDreamy, de Grey’s Anatomy, no papel do “rival” do príncipe encantado. O final é feliz, claro, mas não lá muito convencional.

Será que ainda me é permitido acreditar em contos de fadas?

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Couch Potato

Abril 12, 2008 at 7:20 pm (Seriados, Séries que amo) (, , , )

Esses últimos dias estive doente, bem doente. Como eu estava impossibilitada de fazer grandes esforços, acabei virando o que os americanos chamam de couch potato, com direito a muitos enlatados americanos (by the way, esse termo é muito over e nem condiz com a qualidade dos programas). Toda vez que eu fico muito doente eu acabo me viciando em novos seriados, na última vez foram Grey’s Anatomy e Desperate Housewives. Dessa vez foi Dexter e Dirt Sexy Money. Porém, nesse período nauseante e febril, também tiveram outros. Falarei de alguns.

Six Feet Under eu já vinha vendo há um tempo, mas viciei total agora. Sempre a vejo com uma pena, um ou dois episódios no máximo por vez. Primeiro porque é tão, mas tão bom, que eu fico com dó de acabar logo. Até porque só são 5 temporadas com 12 ou 13 episódios cada e eu já estou indo para última. Segundo, porque geralmente chego ao fim dos episódios meio sem fôlego, meio perplexa, meio pensativa, ou ainda sentindo um vazio inexplicável. Mas, falarei mais da série quando eu terminar de vê-la. Merece um post especial.

Dirt Sexy Money eu comecei a ver por ver, sem expectativas. Ainda bem, porque realmente a série não tem nada demais, só é boa para passar o tempo, assistindo sem pretensões. Na verdade, ela é meio caidinha, exagerada e forçada, mas na falta da minha amada família Walker (de Brothers & Sisters), a família Darling quebra o galho. E agora que eu já comecei, não vou poder parar de ver sem saber quem foi que matou o pai do Nick George, o personagem principal da série e advogado dessa pitoresca família.

Dexter tem uma premissa genial, um serial killer de serial killers. A série nos leva a mergulhar no universo sangrento e complexo de Dexter Morgan, sua vida dupla, seus conflitos internos e seu instinto assassino. A história tem tensão, mistério, humor e muito sangue. Enfim, a série é matadora. Diria que já se tornou a minha série policial preferida.

Comecei a ver também a comédia The Office, que, ainda bem, foge dos padrões de sitcom. Ainda estou no começo e não estou achando assim essas coisas toda, mas é bem legalzinha. É uma visão “documentarista” sobre o dia a dia de um escritório bem bizarro, mas totalmente normal.

No mais, não vejo a hora de novos episódios de Grey’s Anatomy, Brothers & Sisters e House! Já estou em crise de abstinência. Seriously! Amanhã já tem novo das donas de casa desesperada, já é algo.

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O caçador de pipas

Abril 3, 2008 at 10:23 pm (Filmes, Literatti) ()

Eu fico meio assim de ver filmes e, principalmente, ler livros muito badalados. Filmes derivados de livros muito badalados, pior ainda (Preconceito, quem não tem? O meu, pelo menos, não é crime hediondo). Mesmo assim, numa tarde a toa, fui com amigos ver O Caçador de Pipas. E taí que o filme era bom. Fui, então, ler o livro. Nada de muito diferente da sua adaptação cinematográfica. Claro que tinha uns fatos a mais, outros meio diferentes, mas a essência era a mesma: uma história sobre devoção e amizade. Nos dois eu quase chorei com o “momento carta”.

O caso é que comigo as coisas acontecem da seguinte forma: mesmo, em geral, eu gostando mais de livros que filmes, se eu vejo o filmes antes, o livro torna-se menos interessante (e vice-versa) e eu sempre tendo a gostar mais daquele que eu tive o primeiro contato. E vocês? (aquela que quer interagir com os poucos amigos/leitores, rs)

A amiga Laís falou aqui sobre suas considerações a respeito de outros livros que viram filmes. Vale a pena ler.

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