Morrer: verbo transitivo
- Por que as pessoas precisam morrer?
- Para que a vida seja importante.
Morrer é verbo intransitivo. Quem morre, morre. Certo? Não, se você pegar um programa único como Six Feet Under (A Sete Palmos) que gira em torno da funerária da família Fisher. Via de regra os episódios sempre começavam com uma morte, que podia ou não ter ligação direta com o enredo. Durante as 5 temporadas, vimos vários tipo de mortes. Serenas, bizarras, pitorescas, doloridas, trágicas, inesperadas… Fato é que a morbidez era um sentimento pulsante na série, mas estava longe de ser o único.
Ousada, como tradicionalmente as séries da HBO são, Six Feet Under não nos poupava de tocar em assuntos e sentimentos que, em geral, ninguém gosta de mencionar e fingem, dentro de sua hipocrisia e moralismo, que não existem. Sexo, drogas, homossexualismo, incesto, traição, religião, aborto. A sensibilidade dos temas também não impedia que fossem tratados com profundidade ou sob óticas diversas. A vida é tragicômica e o seriado reflete isso, não só com humor negro, mas com situações que beiram o surreal, dando margem para sonhos, visões e alucinações que eram reflexos da repressão e angústia existencial dos personagens.
E os personagens, ah, os personagens são imperfeitos, sombrios, danificados e perturbados, mas são também encantadores, cada um ao seu modo. Não foi difícil se apegar aos Fishers e seus agregados. Ruth, Nate, David, Claire, Brenda, Rico, Keith, George, apesar de por vezes nos decepcionarem com suas atitudes, humanas acima de tudo, sofremos com eles e assim como eles, sofremos em silêncio, e aceitamos seus defeitos e entendemos suas fraquezas, mais do que qualquer psicólogo. Profissão, a qual, aliás, a série pegou para cristo, criticando e zuando sempre que possível, assim como ao governo Bush, o quê, claro, só vem a somar pontos positivos.
Resultado de uma série de ótimos fatores (elenco, roteirista, produção, direção), Six Feet Under, além de atípica (qual outra se desenvolve em volta de uma funerária?) é, no conjunto geral, perfeita. O final, então, deixou meus resistentes olhos cheios de lágrimas.
Tudo acaba em um momento, talvez seja esse o grande lema da série. E, no caso, Six Feet Under, terminou como começou, excelente.

Laís disse,
Abril 21, 2008 às 3:01 pm
Adoro essas coisas, preciso assistir isso!
Gosto das “imperfeições” que nos emocionam pq são possíveis,
nada irreal!
gosto disso!
beijoooooo
paula ribeiro disse,
Abril 21, 2008 às 4:36 pm
eu assisti esses dias a ‘pushing daises’, que também trata de morte, mas de uma forma mais fantástica [como num conto fantástico]. parece um tema recorrente nesses últimos anos em seriados, não?
Ferdi disse,
Abril 23, 2008 às 9:09 pm
Sam, você daria uma ótima crítica de seriados. Quer dizer, isso vc já é…digo profissionalmente. Eu sempre fico curiosa em relação aos seriados sobre os quais vc escreve. Mesmo quando o tema não me apetece muito, como esse…rs
Bjos!!!!
kiki disse,
Abril 24, 2008 às 3:14 pm
Nunca assisti, mas é q não sei q horas passa! haha
Eu gosto dos atores. Deve ser uma série boa.
E concordo: vc é uma ótima crítica.
Paula disse,
Abril 27, 2008 às 4:30 pm
Sam,
Nunca assisti SFU…mas falando em morte, tenho assistido a Pushing Daisies, uma boa série!
Bjinhos e boa semana!
Paulinha
inferno da consciência disse,
Abril 29, 2008 às 4:40 pm
o house tb fala de morte e de vida e de hospital e eu to curtindo demais assistir a esse seriado!
nunca vi o six feet (eu tinha medo, sabia?) kkkkkk
beijos