
“I believe we can be extraordinary together, rather than ordinary apart”
Shonda Rhimes, a tutora dos médicos do Seattle Grace, já tinha anunciado: eles precisariam de força e coragem para confrontar seus medos, fraquezas e conflitos mais profundos. Assim, tudo foi se encaminhando, resultando num lindo final para uma controversa quarta temporada de Grey’s Anatomy.
Uma temporada muito criticada, na qual boa parte dos fãs da série criaram aversão pelo casal George e Izzie; cansaram do casal Meredith e Derek; sentiram falta de Addison e Burke; tornaram-se saudosista da casos-emotivos e das catástrofes de temporadas passadas; se encheram de alguns tramas que pareciam sem fim, dando voltas em torno de si mesmos, assim como dos casos-metáforas. Enfim, eu teria muitas ponderações a fazer sobre todas essas críticas (até porque gostei muito dessa temporada), mas vou me ater aos fatos que nos levaram até o sensacional Freedom, um episódio duplo cheio de emoções à flor da pele, no qual o previsível nunca foi tão impressionante.
Fato é que desde o primeiro episódio dessa temporada, já se apontava que seria um período para mudanças. Meredith até finalizou o mesmo afirmando: “Às vezes, mudar é bom. Às vezes mudar é tudo”. Então, vimos o amadurecimento dos personagens que amamos, (por vezes) odiamos, torcemos, criticamos, nos identificamos, mas, acima de tudo, somos capazes de entender suas motivações, falhas e receios.
Velhos e novos desafios surgiram para esses cinco aspirantes a cirurgiões e seus essenciais agregados, tanto no campo profissional, quanto no pessoal, um interferindo no outro, como é de praxe na vida e, especialmente e intensamente, na série. Numa visão geral, podemos, por fim, notar que alguns dos fatos tão criticados (e até lamentáveis) foram necessários para esse crescimento, ou melhor, mudança de fase, que a série ansiava.
Como Shonda disse, na seasson finale e nos caminhos pós-greve que nos levaram a ela, não tivemos bombas, acidentes de trem ou balsa, carros virando, batidas de ônibus, epidemias… Em suma, nenhuma grande catástrofe. Porém, quem pode dizer que não existem outros tipos de grandes acontecimentos (big traumas, the events), de cunho pessoal, tão difíceis de lidar quanto uma bomba preste a explodir?
Em Freedom, Cristina Yang recuperou a sua groove e voou sozinha. De volta as salas de cirurgia, Burke é finalmente superado e, de quebra, ainda a vimos dando lição de moral em Hanh - mais Yang impossível. Bailey também voltou a ser a nazi, aquela que tem o controle da situação, aquela que nos emociona, impressiona e intimida.

A transtornada Ava/Rebbeca levou o bruto Alex Karev a confrontar traumas, tendo Izzie como ombro, ele desmoronou. É, ele é bem mais que um rostinho bonito e um coração gélido. Izzie, por sua vez, teve o reconhecimento profissional que buscava e lhe cabe perfeitamente. A clínica, que leva o nome de Denny Duquette, é o lugar certo para a doce Izzie, toda sua sensibilidade, alegria e otimismo vão ter palco por lá.
George O’Malley terá uma segunda chance na carreira (e, espero eu, para o personagem que me encantou desde a primeira temporada, mas andou perdendo a graça nos últimos tempos). Claro, que para lutar pelo reconhecimento de Chief, ele precisou de empurrão, vindo de uma solicita e divertida Lexie (aliás, casal fofo à vista).
Um loser coberto por concreto foi o caso-metáfora para Callie, ou melhor, a menina que se envergonhava por sentir algo por esse cara rejeitado pelos seus amigos. Com isso e com uma ajuda básica de Mark, Callie se deu conta e assumiu seus sentimentos por Hahn. Daí tivemos um dos inúmeros beijos do episódio (Detalhe: todas as mulheres que foram beijadas estavam de vermelho). Festival de beijos com a finalidade de nos deixar na expectativa dos rumos que esses relacionamentos podem tomar na próxima temporada.
Por fim, mas o mais importante: Meredith Grey. Suas sessões de terapia e seu experimento médico a tornaram mais confiante. Segurança essa essencial na sua busca em ser extraordinária em todos os sentidos. Ela precisou ser forte, se erguer diante a poça de sangue da mãe e do medo de arriscar e confiar nas pessoas que ama, aceitar o afeto que sempre desejou, mas nunca se permitiu ter. Precisou lutar e ser livre para amar e ser amada. A cena final mostrou o quanto ela foi bem sucedida nessa tarefa também. Meredith, romântica (?), fez com velas uma planta da casa que Derek sonhava construir para eles, só para provar a ele que ela estava finalmente pronta, embora ainda titubeante, estava disposta a tentar ser feliz ao lado dele, pois, como a própria disse: “I believe we can be extraordinary together, rather than ordinary apart”.
Terminamos o episódio com uma Meredith sem palavras, mas a imagem disse tudo: ela estava livre. Todos estão livres, todos lutaram e se permitiram uma nova oportunidade para serem extraordinários. Agora, onde isso vai nos levar? Que novos rumos esses personagens vão tomar? Isso é uma missão para a quinta temporada. Que venha setembro!