Why so serious?

A loucura é como a gravidade, tudo o que é necessário é um pequeno empurrão

Há alguns post, eu cometei que filmes de heróis não me apeteciam muito, com exceção de X-men. Bom, agora podem colocar Batman: the dark knight na lista também. O cavaleiro das trevas teve a incrível façanha de me fazer sair da sala de cinema com sentimento de angustia misturado com felicidade difícil de descrever e que não me acontecia há muito tempo.

Saí exausta, não porque o filme é longo, chato ou algo do tipo, pelo contrário. Eu assistia torcendo que durasse mais e mais. 2h30 não foi nada. A exaustão foi culpa da carga emocional do filme. Jogos psicológicos comandados brilhantemente e psicoticamente pelo imperativo Coringa de Heath Ledger (Oscar póstumo, por favor!) torturavam minha mente e meu coração gélido e cético.

Deve ter sido porque o diretor e roteirista Christopher Nolan molda seus personagens com humanidade, para soarem realistas dentro desse universo fantástico dos quadrinhos. Não duvido da existência, em alguma Gotham City da vida, de um milionário a fim de salvar o mundo na calada da noite, um maluco e transtornado Joker, um promotor duas caras, um comissário de polícia e herói nas horas vagas, um cientista genial e um mordomo mais ainda. Há de existir, pelo menos, um Bruce Wayne para mim (comentário “mulherzinha”) e o Coringa para divertir e chocar o mundo.

Batman é um filme de herói com suas ações, reviravoltas e efeitos especiais espetaculares, mas é também um filme denso, triste, sarcástico, trágico e inteligente (nossa, quantos adjetivos numa frase só!). Batman é um herói traumatizado e vulnerável, que agora tomou para si o peso da vilania, porque o cavaleiro das trevas é o herói que merecemos, mas que não precisamos no momento. Nota 10, cinco estrelas, carinha feliz, bonequinho aplaudindo de pé, enfim, o filme merece qualquer simbologia máxima que os críticos costumam aplicar em suas avaliações.

Férias: minhas pazes com a literatura

Em janeiro desse ano, quando viajava entre Rio de Janeiro – Belo Horinzonte – Rio de Janeiro, eu li a admirável marca de cinco livros e meio em pouco mais de duas semanas. Ótimo, não? Só que esse outro “meio” que faltava do último livro, eu não terminei até hoje, e, desde então, venho aumentando a vergonhosa marca de ter apenas um livro lido (mal lido, no caso, já que eu pulava alguns parágrafos) e mais três livros pela metade (na verdade, pelo começo). Sinceramente, não sei o que me acontecia e isso me preocupava, já que sempre fui uma literofágica. Lia um livro atrás do outro, quebrando recordes de tempo de leitura constantemente.

Mas aí veio Férias! Não, não estou falando das férias julho (ah, férias de julho!), que não sei o que é realmente tê-las há anos. Esse tipo de férias morre com ensino médio, no máximo temos plágios fajutos. Enfim, essa é uma divagação para outro post. Na verdade, eu estou me referindo a mais um livro de “mulherzinha” da escritora irlandesa Marian Keys (aquela da Melancia, lembrou, né?).

Férias! é a narrativa de Rachel, uma toxicômana em negação e, posteriormente, em recuperação. Ela é internada a força em uma clínica de reabilitação, deixando seu emprego, namorado, amigos e a cidade dos sonhos para trás, passando a confrontar fantasmas, ou seja, ela mesma e as conseqüências de seus atos. Com toques autobiográficos, muito humor, agonia, desprezo e tristeza, somos conduzido por Rachel nessa sua jornada . É um livro engraçado e tocante, que eu devorei em menos de quatro dias!

Então, agora que já estou voltando a boa forma literária, meu próximo passo é Barão nas Árvores, de Ítalo Calvino.

Fofura tem limite

Andei afirmando esses dias que não gosto de coisas fofas. Bom, não é bem assim, eu não gosto de coisas exageradamente fofas, não gosto do piegas, do brega, do cafoninha e dos clichês coloridos, floridos e com olhinhos brilhantes. Isso não me apetece.

No seu blog, o amigo Bruno, o Fantine, falou um pouco sobre a indústria da fofura tão em voga nessa época de emos, pushing daisies, hello kittys, belle & sebastians e malus magalhães. Não, definitivamente, eu não sou suscetível a esse tipo e a esse nível de fofura. Não me entendam mal, eu, inclusive, até gosto de Pushing Daisies, não por sua fofura, mas apesar dela.

O tipo de fofo que eu gosto é do tipo não meloso, não radiante, não gratuito e não forçado, é do tipo Gilmore Girls. As garotas Gilmore e os demais moradores de Stars Hollow são fofos, mas também sarcásticos, um tanto quanto blasés e possuem uma dose certa de amargura e doçura.

Praça Central de Stars Hollow - Gilmore Girls

Praça Central de Stars Hollow - Gilmore Girls

Stars Hollow é uma cidadizinha fofa, lindinha e aparentemente serena. Um pequeno paraíso americano, com trovadores nas ruas e um gazebo na praça central. Porém, é pitoresca, povoada por personagens bizzarros e cheia de eventos inusitados. Tudo na medida e no limite certo. Eu queria morar em Stars Hollow, mas não aguentaria muitos minutos no The Pie Hole de Pushing Daiseis, por exemplo. É que eu me entedio e enjôo facilmente.

The Pie Hole e os personagens coloridos de Pushing Daisies

The Pie Hole e os personagens coloridos de Pushing Daisies

Em suma, se não forçarem a barra e for bem desenvolvido e colocado, o fofo é bem-vindo.

A melhor banda de todos os tempos da última semana

Tem uma banda da qual sou fã há anos, que foi e é muito significativa para mim, por diversos motivos. Uma banda pela qual já fiz várias loucuras. Não loucuras do tipo “escrever cartas quilométricas”, “aparecer nua no quarto do artista”, “comprar tudo e qualquer coisa do ídolo que ver pela frente”, “colecionar objetos do artista de origem e uso duvidosos”, não, nada chegou a esse ponto. No entanto, tenho todos os cds (ou quase todos), sei cantar O Pulso com todas aquelas doenças e Nome aos bois com todos aqueles nomes, já fiquei horas em fila de shows, já enfrentei chuva e sol para chegar ao local de um show, já fiquei esperando eles para pegar autografo e tirar foto e até já escrevi um livro a respeito de todas essas aventuras de fã. Essa banda é os Titãs.

Bom, todo esse enunciado foi pra dizer que, em janeiro desse ano, fui à gravação do dvd Titãs e Paralamas, e essa semana o DVD com esse registro chegou às minhas mãos e pude reviver algumas das emoções do dia. Por isso, segue o relato que fiz na época.

Confesso. As expectativas não eram as maiores, mesmo tendo sido prevenida com expressões enfáticas do tipo “é sensacional”, “maravilhoso”, “incrível”, “abissal” (sic?), etc. Era Paralamas e Titãs, isso por si só já era grandioso, diziam muitos. Ver Arnaldo Antunes tocando novamente com sua banda de origem, isso sim, confesso, não era pouca coisa e era o que mais me animava. Mas não sei, algo me dizia que, bom, como posso dizer? Não seria o show da minha vida. Não ao ponto de me fazer ir até o Rio de Janeiro, mas tudo conspirou a favor e eu fui. Ainda bem que fui. E talvez não tenha sido (talvez) mesmo o melhor show da minha vida, mas é uma história que contarei para os meus netos.

Não somo tantos anos assim, ainda caminho no começo da casa dos 20, mas meu fôlego para fã inveterada anda rarefeito. Não dou mais para passar horas em pé esperando por um show, mas fiquei. E tome chuva naquela Marina da Glória (e em mim). Deve ter sido um teste físico para saber se eu daria conta das próximas 2h30 de espetáculo. Felizmente, passei. E lá na grade (porque lá sim é lugar de se ver show), assim que a chuva cessou, a melhor banda de todos os tempos da última semana entrou no palco ao som de Diversão. Expectativa? Onde? Pra quê? Aquilo estava acontecendo em tempo real e ao som de “ôôôôôôôôô”. Era melhor do que eu podia imaginar.

A fusão de 25 anos de Titãs e 25 anos de Paralamas contabilizavam 50 anos de Rock e de sucessos, atirados assim, um a um, acorde por acorde, batida por batida (ah, esses bateristas!). A equação perfeita? Selvagem mais Polícia mais Andreas Kisser. E isso era só o começo, a primeira parte. A segunda foi reservada apenas aos Paralamas, e aquele clima brejeiro, meio regueiro, desacelerando o ritmo. Todo mundo diz que se emociona com Lanterna dos afogados. Nesse caso, eu sou todo mundo. Britto, Paulo e Branco fazem uma visita ao palco e entram no coro em Uma Brasileira, Gavin toca pandeiro em Alagados. Assim, bem no clima de jam session lá em casa.

A volta das duas bandas é acústica, banquinho, violão e bandolin by Miklos. Bonito de se ver e ouvir. Samuel Rosa, sob gritos de “Playmobil”, participa dessa parte, cantando Lorinha Bombril.

Depois os Paralmas deixam o recinto e os Titãs, só os 5 remanescentes, dão continuidade a festa. Aquela era a minha banda preferida. Era não. É. Sempre será. Há mais de um ano sem ver show deles, não poderia matar melhor as saudades. Adoro essa formação garagem. Adoro o “sai do chão” e o “levanta a mão” de Epitáfio. Adorei a homenagem ao Marcelo Fromer antes de Bichos Escrotos. Adorei o encontro de bateras em Cabeça Dinossauro. Genial. E amei o coro que a platéia puxou antes de AA-UU. É, também estávamos bem afiados.

E voltamos com Paralmas e Titãs. E da-lhe sucessos. Go Back linda, mas senti falta de um poeminha, talvez até em espanhol. Só que o melhor dessa parte sem dúvidas, foi a presença, a voz e a performance de Arnaldo Antunes em Comida (adoro!) e Lugar Nenhum (com Andréas Kisser). Pedidos de O Pulso já começaram a entoar nos quatro cantos da Marina, mas nada. Terminamos com Ska e sax de Paulo Miklos. Eu também terminei ganhando uma palheta de Tony Bellotto (aquela com o desenho do Cabeça Dinossauro. Ainda não tinha. Me permitam um momento tiete: aaah, linda!). Acho que a única que ele deu durante o show.


Ainda tínhamos o bis. Ainda bem. Com Meu Erro a chuva voltou, agora fazendo bonito. Fechamos com Flores, mas não foi o fim. Voltaram para repetir algumas músicas (quatro pra ser mais exata) que não ficaram assim tão boas (como?!). E se Sérgio Britto diz que a gente pode fazer melhor, eu não duvido. E numa dessas, em Comida especificamente, Arnaldo volta e com ele o coro de pedidos para O Pulso. Dessa vez cederam. Tony começou a tocá-la na guitarra, Britto o acompanhou nos teclados e Arnaldo e Branco começaram a cantá-la em dueto. Foi lindo! Ainda mais que estavam preparando o palco para repetir uma música da parte acústica, com banquinhos, então, o Charles e o Barone já tinham deixado as baterias, os dois, mais o Paulo e o Bi ficaram só olhando a cena, deslumbrados, assim como nós. Fica aqui a torcida para que esse momento saia pelo menos nos extras do dvd (e entrou!!).

No fim, todos no palco (incluindo Andreas, Arnaldo e Samuel) e eu acabada e encharcada, sem saber mais o que era água e o que era suor (detalhe). Mas o que isso importa? Estava lá eu, com amigos queridos vendo a minha banda do coração comungando com sua banda irmã. Isso sim é especial.

Sabe aquele show que você vai e gosta tanto que queria uma forma de guardá-lo de lembrança? Então, o bom é que esse vai (virou) dvd.

DANGEROUS

Dangerous: Como os meios de comunicação construíram/descontruíram a imagem de Michael Jackson como ídolo.

Este vídeo me emocionou na manhã da última segunda-feira. Não sei se porque foi a apresentação de monografia de um dos meus melhores amigos (um rito de passagem, rs), sob a orientação da minha querida orientadora, na minha inesquecível faculdade, etc, ou foi mesmo pela imagem atormentada, assustadora e danificada de Michael Jackson.