Tem uma banda da qual sou fã há anos, que foi e é muito significativa para mim, por diversos motivos. Uma banda pela qual já fiz várias loucuras. Não loucuras do tipo “escrever cartas quilométricas”, “aparecer nua no quarto do artista”, “comprar tudo e qualquer coisa do ídolo que ver pela frente”, “colecionar objetos do artista de origem e uso duvidosos”, não, nada chegou a esse ponto. No entanto, tenho todos os cds (ou quase todos), sei cantar O Pulso com todas aquelas doenças e Nome aos bois com todos aqueles nomes, já fiquei horas em fila de shows, já enfrentei chuva e sol para chegar ao local de um show, já fiquei esperando eles para pegar autografo e tirar foto e até já escrevi um livro a respeito de todas essas aventuras de fã. Essa banda é os Titãs.
Bom, todo esse enunciado foi pra dizer que, em janeiro desse ano, fui à gravação do dvd Titãs e Paralamas, e essa semana o DVD com esse registro chegou às minhas mãos e pude reviver algumas das emoções do dia. Por isso, segue o relato que fiz na época.

Confesso. As expectativas não eram as maiores, mesmo tendo sido prevenida com expressões enfáticas do tipo “é sensacional”, “maravilhoso”, “incrível”, “abissal” (sic?), etc. Era Paralamas e Titãs, isso por si só já era grandioso, diziam muitos. Ver Arnaldo Antunes tocando novamente com sua banda de origem, isso sim, confesso, não era pouca coisa e era o que mais me animava. Mas não sei, algo me dizia que, bom, como posso dizer? Não seria o show da minha vida. Não ao ponto de me fazer ir até o Rio de Janeiro, mas tudo conspirou a favor e eu fui. Ainda bem que fui. E talvez não tenha sido (talvez) mesmo o melhor show da minha vida, mas é uma história que contarei para os meus netos.
Não somo tantos anos assim, ainda caminho no começo da casa dos 20, mas meu fôlego para fã inveterada anda rarefeito. Não dou mais para passar horas em pé esperando por um show, mas fiquei. E tome chuva naquela Marina da Glória (e em mim). Deve ter sido um teste físico para saber se eu daria conta das próximas 2h30 de espetáculo. Felizmente, passei. E lá na grade (porque lá sim é lugar de se ver show), assim que a chuva cessou, a melhor banda de todos os tempos da última semana entrou no palco ao som de Diversão. Expectativa? Onde? Pra quê? Aquilo estava acontecendo em tempo real e ao som de “ôôôôôôôôô”. Era melhor do que eu podia imaginar.
A fusão de 25 anos de Titãs e 25 anos de Paralamas contabilizavam 50 anos de Rock e de sucessos, atirados assim, um a um, acorde por acorde, batida por batida (ah, esses bateristas!). A equação perfeita? Selvagem mais Polícia mais Andreas Kisser. E isso era só o começo, a primeira parte. A segunda foi reservada apenas aos Paralamas, e aquele clima brejeiro, meio regueiro, desacelerando o ritmo. Todo mundo diz que se emociona com Lanterna dos afogados. Nesse caso, eu sou todo mundo. Britto, Paulo e Branco fazem uma visita ao palco e entram no coro em Uma Brasileira, Gavin toca pandeiro em Alagados. Assim, bem no clima de jam session lá em casa.
A volta das duas bandas é acústica, banquinho, violão e bandolin by Miklos. Bonito de se ver e ouvir. Samuel Rosa, sob gritos de “Playmobil”, participa dessa parte, cantando Lorinha Bombril.
Depois os Paralmas deixam o recinto e os Titãs, só os 5 remanescentes, dão continuidade a festa. Aquela era a minha banda preferida. Era não. É. Sempre será. Há mais de um ano sem ver show deles, não poderia matar melhor as saudades. Adoro essa formação garagem. Adoro o “sai do chão” e o “levanta a mão” de Epitáfio. Adorei a homenagem ao Marcelo Fromer antes de Bichos Escrotos. Adorei o encontro de bateras em Cabeça Dinossauro. Genial. E amei o coro que a platéia puxou antes de AA-UU. É, também estávamos bem afiados.
E voltamos com Paralmas e Titãs. E da-lhe sucessos. Go Back linda, mas senti falta de um poeminha, talvez até em espanhol. Só que o melhor dessa parte sem dúvidas, foi a presença, a voz e a performance de Arnaldo Antunes em Comida (adoro!) e Lugar Nenhum (com Andréas Kisser). Pedidos de O Pulso já começaram a entoar nos quatro cantos da Marina, mas nada. Terminamos com Ska e sax de Paulo Miklos. Eu também terminei ganhando uma palheta de Tony Bellotto (aquela com o desenho do Cabeça Dinossauro. Ainda não tinha. Me permitam um momento tiete: aaah, linda!). Acho que a única que ele deu durante o show.

Ainda tínhamos o bis. Ainda bem. Com Meu Erro a chuva voltou, agora fazendo bonito. Fechamos com Flores, mas não foi o fim. Voltaram para repetir algumas músicas (quatro pra ser mais exata) que não ficaram assim tão boas (como?!). E se Sérgio Britto diz que a gente pode fazer melhor, eu não duvido. E numa dessas, em Comida especificamente, Arnaldo volta e com ele o coro de pedidos para O Pulso. Dessa vez cederam. Tony começou a tocá-la na guitarra, Britto o acompanhou nos teclados e Arnaldo e Branco começaram a cantá-la em dueto. Foi lindo! Ainda mais que estavam preparando o palco para repetir uma música da parte acústica, com banquinhos, então, o Charles e o Barone já tinham deixado as baterias, os dois, mais o Paulo e o Bi ficaram só olhando a cena, deslumbrados, assim como nós. Fica aqui a torcida para que esse momento saia pelo menos nos extras do dvd (e entrou!!).
No fim, todos no palco (incluindo Andreas, Arnaldo e Samuel) e eu acabada e encharcada, sem saber mais o que era água e o que era suor (detalhe). Mas o que isso importa? Estava lá eu, com amigos queridos vendo a minha banda do coração comungando com sua banda irmã. Isso sim é especial.
Sabe aquele show que você vai e gosta tanto que queria uma forma de guardá-lo de lembrança? Então, o bom é que esse vai (virou) dvd.