Fraternidade

Nota prévia: No episódio 1.17 Santa Ceia, do Em Família, escrito pelo Rod, eu escrevi um texto em nome da personagem Nora Andrade, uma senhora que aos 60 anos resolveu ter um blog. Embora por motivações diferentes, eu me identifico com o texto (e confesso, foi inspirado um pouco nas minhas próprias experiências também, claro), e se você tem a infelicidade e a dádiva de ter um irmão, talvez também se identifique. Com a palavra, Nora Andrade:

As minhas lembranças infantis de Natal se resumem em muitas orações e comidas por parte de minha católica mãe, em bebida e canções por parte do meu boêmio pai, e risos e traquinagens por parte dos meus alegres e irritantes irmãos.

Apesar de ser a filha do meio, nunca sofri com a síndrome do filho-sanduíche, pois, por sorte, era a única mulher, com todos os mimos e pressões que se tinha direito na época. Por sorte também, meu irmão mais velho era um altruísta de carteirinha, incapaz de fazer mal a uma barata. Além de toda essa generosidade, era responsável, idealista, inteligente, apaixonado, apaixonante e bem-humorado. Um sonhador nato. Difícil é acreditar que todas essas suas qualidades talvez o tenha levado a seu fim trágico. No entanto, sem antes me servir de exemplo de vida.

Meu irmão mais novo sempre foi uma enigmática contradição. Embora fosse o mais calado, era também, em certos momentos, o mais espevitado. Sempre agia na surdina, por isso ninguém desconfiava dele quando a pia do banheiro ficava aberta até começar a invadir água por toda a casa. O mais velho acabava levando a culpa, claro. Sonso, o mais novo sempre abria o berreiro para alegar sua inocência. Os juízes, nossos pais, sempre ficavam comovidos com tamanha candura. Mas ninguém, nem mesmo o mais velho, que heroicamente ficava de castigo em seu lugar, conseguia ficar por muito tempo com raiva dele, o sonso do sorriso mais luminoso que já vi.

Do mais velho, eu tinha o exemplo, a proteção e o carinho. Do mais novo, a cumplicidade, a empolgação e a minha eterna preocupação sobre seu bem-estar, o mimado.

Irmãos são assim, às vezes os odiamos com uma intensidade que nunca odiaremos algo ou alguém. Mas também somos os primeiros a partir em sua defesa quando alguém o chama de feio. Doaríamos, depois de muito pestanejar, claro, um rim ou até mesmo o seu coração para não vê-lo sofrer (muito).

Com irmãos você divide tudo: brinquedos, pais, doces, atenção, quarto, carinho, problemas familiares, piadas internas e olhares cúmplices. Eles já te viram nos seus melhores e piores momentos. Nos mais constrangedores aos mais venturosos. São os primeiros a rirem da sua cara, mas também os primeiros a lhe darem a mão quando você tropeça e caí de cara na calçada. E, mesmo com uma ponta de inveja difícil de disfarçar, eles são os mais genuinamente felizes por suas conquistas.

Irmãos são os seres mais diferentes e mais parecidos com você no mundo inteiro. Assim, naturalmente, conflitos, parcerias, abraços e tapas são constantes numa relação fraternal. Isso se você tiver sorte, claro. Porque o pior do que todo esse furacão de sentimento é a indiferença que já vi em alguns irmãos por aí.

Por gostar tanto desse negócio de irmão, dei quatro para cada um dos meus filhos. E uma das maiores felicidades da minha vida é saber que mesmo entre trancos e barracos, eles são um time unido, do tipo um por todos e todos por um.

Sabe, eu não me lembro da minha vida sem irmãos. Eu ainda carrego a dor de ter perdido um tão prematuramente e estupidamente. Agora me vejo, aos poucos, perdendo outro. Por motivos tolos? Por orgulho ferido? Por não ser condizente com seus passos? Por não saber perdoá-lo e aceitá-lo?

Irmãos você não escolhe. É sorte. E é pra sempre.


Nota posterior: Agora eu, uma jovem adulta de 20 e poucos anos, resolvi ter um Twitter. Ainda não sem bem como, nem porquê, mas estou .

Sobre mim e os meus personagens

Você assiste a um filme, ler um livro, vê uma novela, acompanha uma série, e, num determinado momento, numa cena, numa fala, num olhar, numa lágrima, numa piada, num riso, tchanran! Acontece, e você pensa (ou até berra, quem sabe): “essa personagem sou eu!” Esse tipo de identificação já aconteceu comigo algumas vezes. Encontrei em alguns seres fictícios algo como uma mistura de quem eu sou, quem eu gostaria de ter sido e/ou quem desejo ser.

31 Lorelai Gilmore (Gilmore Girls): As pessoas não entendem suas piadas, nem o que ela fala. Fala rápido e tem fobias esquisitas. Ela não se entende com sua mãe, e as duas vivem em atritos. É um tanto quanto ácida nas brincadeiras e faz graça sarcástica nos momentos críticos. É refém da sua mente mirabolante e complica coisas simples. Adora café, pizza, chocolate e conversas aleatórias. É independente e carente. Determinada e indecisa. Segura e atrapalhada. É uma gostosa contradição. E se gosta muito de algo, pode revê-lo (ou lê-lo) várias vezes.

Em certos momentos me sinto o tanto quanto Lorelai e quando eu crescer quero ser igual a ela.

4Meredith Grey (Grey’s Anatomy): “Dark and twisty inside”. Sombria, complicada, cheia de traumas e inseguranças. Impulsiva, realista (ou seria pessimista?), carente e indecisa. Dança para evitar os problemas, mas dança mal. Acredita e confia nas pessoas, mas acaba quebrando a cara. Tem medo de se entregar, porque já se entregou demais e o resultado foi traumático. Não é de desabafar, fazer drama e sair contando cada infortúnio ou ventura da sua vida até para os melhores amigos. Fala pouco sobre si, ouve muito sobre todos.

Enfim, eu posso até fingir que sou a espirituosa Lorelai, mas no fundo, sou mesmo é a danificada Meredith. Pelo menos eu tenho minha (s) Cristina (s) Yang pra chamar de my person nos momentos críticos. Só falta o McDreamy.

113077_314Sarah Walker (Brothers & Sisters): A Sarah é meu lado irmã mais velha  com complexo de cuidar de todos e de ter que carregar (ou simplesmente nos dão) a responsabilidade de tudo. No meu caso, família e amigos estão no pacote. E ainda tem que dar o exemplo. Ela também tira as palavras da minha boca. Volta e meia ela tem tiradas que eu já havia dito ou diria nas situações em questão. Pensamos e agimos parecido.

Só queria ficar mais parecida com ela com o tempo também, adquirir um pouco mais de confiança e sensatez que ela tem. Em tempo: eu seria um pouco também do seu cínico (no bom sentido) irmão Kevin Walker.

2Chandler Bing (Friends): Ser sarcástico para esconder os verdadeiros sentimentos é uma característica que está presente em todos os meus personagens, mas em especial no Chandler isso é mais notável, talvez porque comédias são assim mesmo mais exageradas. Enfim, às vezes só nos resta fazer graça da desgraça mesmo.NUP_103722_0681

Matt Albie (Studio 60): Simples: Se eu fosse homem, eu seria igual a ele. Fato. Com todas as neuroses, vícios e paixões (e, quiça, talento também).

Sara e Carol Andrade (Em Família): Bom, como são personagens que eu ajudei a construir, naturalmente elas tem um pouco de mim. Na verdade, bastante, porque acabei sendo responsável pelo rumo das duas na história. Carol um pouco menos. Já a Sara é quase eu, só que numa versão ampliada e melhorada. Coisas que só a ficção pode fazer por você.

Asteriscos sobre o tour pelo Nordeste

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* A vida é cheia de pequeno prazeres, e eles, em sua esmagadora maioria, são fugazes. E a tentativa de prolongá-los pode ser muito frustante.

* João Pessoa tem os  cartões-postais mais enganosos que eu já vi. E os caixas eletrônicos de lá são esquisitos.

* São Luís tem as tarifas de táxi mais baratas, em compensação os cartões-postais mais caros.

* Lençóis Maranhense é realmente lindo.

* Já Porto de Galinhas não é essa coisa toda que divulgam, mas bem bonito também, como todo litoral que se preze.

* Eu amo Recife quase tanto quanto seus moradores amam. É a cidade mais ufanista que eu já conheci, além de incrivelmente cultural.

* Eu também amo minha Fortaleza. O melhor transporte urbano do Nordeste.

* Não se tem muito o que fazer em Natal se você não gosta de praia. Mas lá você pode até andar de dromedários! Awesome!

* Não importa o lugar, nem as condições climáticas. O horário, o motivo ou a programação. O que vale é a companhia, ela transforma uma tarde chuvosa dentro de um shopping maranhense em um momento inesquecível. Ou uma ida frustrada ao pôr-do-sol mais badalado da Paraíba em risadas e planos sonhadores para vida.

* Saudades dá depressão.

* Voltar à vida normal é difícil, principalmente quando você não está lá muito satisfeita com ela.

* Estou com preguiça da realidade. Às vezes sequer eu consigo dar conta de existir.

* Alguns momentos me fazem acreditar na vida. Algumas pessoas me fazem acreditar na humanidade. E tudo isso ainda me faz acreditar um pouquinho em mim.

* Eu tenho os melhores amigos do mundo.

* O 14 de março desse ano talvez tenha sido o melhor 14 de marços dos últimos 24 anos.

Das notícias que me chocam

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Não sei cantar nem o refrão de nenhuma música da Rihana e muito menos de uma do Chris Brown, mas as notícias recentes envolvendo o casal de jovens cantores me chamou a atenção por dois motivos (além dos óbvios, claro): 1 – Quando foi que eu fiquei mais velha do que os artistas teen pops? (parece que ele tem 21 e ela 20 ou o contrário) 2- Quando foi que os ídolos pops passaram a frenquentar as páginas policiais? Nãã, prefiro os Backstreet Boys! Quero as boy bands dos anos 90 de volta ao topo, pelo menos eles são mais velhos do que eu, virgens e santos.

Outra coisa, vocês também souberam que Túlio Maravilha (jogador de futebol) almeja um dia chegar a presidência da república?

Ah, e nem vou comentar do bispo pernambucano que excomungou os envolvidos no aborto da garota de 9 anos, porque, sinceramente, não tem a menor graça.  É simplesmente lamentável.

Sem linha no horizonte

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Defino ressentimento como algo oposto ao sentimento, mas que sensibiliza do mesmo jeito, mas de uma forma negativa, bem daquela que você não consegue manter a cabeça erguida ou conter as lágrimas. Você enxerga além, e isso ao invés de ser surpreendente e primoroso, é triste e doloroso. É esperado, mas te pega sem aviso.  É como um tapa na cara sem motivo, um tiro no pé numa corrida. É errar ao vivo a música que você sabe de cor,  é  perder o vôo (e o rumo) por um minuto de atraso. Enfim, é uma adversativa que nunca consegue colocar um ponto final.

***

Só queria dizer também que o novo cd do U2, No Line On Horizon, está ótimo.  Incrível como esses irlandeses sabem fazer músicas que tocam minha mente, alma e coração, e ainda me fazem querer  “stand up” e ” I’ll go crazy if I don’t go crazy tonigth”, e sair cantarolando e chacoalhando o esqueleto por aí.  Sim, eu danço sozinha no quarto.

Desejos

Transpor fronteiras, tanto as territoriais quanto as mentais, sem esquecer das metas. Cansei de me reter ao mesmo perímetro, viver constantemente limitada. Eu preciso do mundo, de um mundo de opções. Experiências, momentos, criar mais capítulos para o livro da minha existência. Cercar-me de pessoas, novas, queridas, diferentes.

Busco um conhecimento, enigmático, ambulante e quase que distante demais para as minhas forças. Mais do quê fonte intelectual, eu sempre busco um rumo, indecifrável, pertencente ao futuro, que foi ontem, é hoje, e não se sabe se chega a ser amanhã. As minhas certezas vão se cancelando, confundido, trazendo novas normas. A espera sempre foi uma das condições do tempo para se dispor a resoluções. Sem escolhas? Só me resta acatar, resignada, suas chantagens egocêntricas? O meu ato de decidir encontra impedimento a cada passo da busca…

Às vezes, as coisas bem que poderiam simplesmente dar certo.

Briga de gigantes

Sonho muito. Mais de olhos abertos do que fechados. Como toda boa pisiciana. Fato. E quando sonho de olhos fechados sei que estou sonhando. Isso porque meu lado racional não se entrega fácil numa briga de gigantes emoções e devaneios.

Conclusão: o despertador sempre toca antes do finalmente, para o bem ou para mal.

2009: o ano que recomeçou

2008 foi um ano atípico para mim (e bem apático também, diga-se). Parei de fazer coisas costumeiras. Fiz outras que nunca tinha feito. Descobri a necessidade de usar óculos e de parar de comer certos alimentos. Distanciei-me de quase tudo. Alcancei quase nada.

Entre as paixões, atividades e pessoas que, de uma forma ou de outra, eu deixei de lado ano passado, encontra-se esse blog.Estou retomando tudo aos poucos.

É, só para dizer que resolvi voltar.

Futuro sem futuro

Eu particularmente não gosto dessa linha intelectual de culto a pobreza, ou, como os teóricos chamam, “estética da pobreza”. Fazer filmes sobre o submundo da criminalidade e da miséria das periferias brasileiras já virou lugar comum. Só que não se pode negar que essa realidade pode ser inspiradora, assim como a Ditadura, mas nem toda empreitada cultural-artística (e elas não são poucas) nesses contextos são bem sucedidas.

Walter Sales e Daniela Thomas foram felizes  em escolherem outro viés para  Linha de Passe. Focaram em uma família da periferia de São Paulo, mas optaram por mostrar aspectos para além da criminalidade. Falaram da vida, de relacionamentos, da falta de perspectivas, da fé, de uma busca constante e frustrante por algo maior. Por isso o filme é tocante e exala realidade, faz sentido até para quem não vive propriamente nesse universo.

Sem mais delongas, fica dica. Cinema nacional é bom sim, senhor! E não é só Globo Filmes.

Fall Season

Então, começou a fall season (período de volta das séries em solo americano)! E como você leu (ou não) aqui, é uma época cheia de emoção para mim. Inclusive, já tenho algumas considerações prévias a respeito:

- O Emmy (dito como o Oscar da televisão americana) passou ontem e, bem, ele é mesmo parecido com o Oscar, principalmente no quesito premiar quem não merece ou não premiar quem merece muito.  Sem contar o quesito festa chatinha que pretendia ser engraçada.

- Sobre as novas séries que eu fiquei de conferir: True Blood se revelou muito, mas muito bizarra, com vários momentos que beiram o tosco, mas, de alguma forma, eu fui mordida, e resolvi que verei mais um episódio antes do veredicto final. Já Fringe me veio com um piloto chatinho, um espécie de filme meia boca de ficção, mas o segundo episódio já me deixou mais interessada, acho que não vou virar devota, mas acompanharei mais um pouco as aventuras de Peter-Pacey, da agente semi-depressiva e do cientista maluco.

- Acho que eu encontrei uma série teen para chamar de minha: Privileged. Agora quando todos começaram a falar das clichezinhas e futeizinhas Gossip Girl e 90210 (o novo Barrados do Baile), eu também terei uma série jovem e descompromissada, que tem lá seus clichês e futilidades, porém tem conteúdo. Só vi um episódio, mas boto fé. Também acho que encontrei minha série “é ruim, mas é bom”, mas ainda não estou preparada para compartilhar isso com um mundo.

- House voltou com um episódio morno, mas com um final de cortar o coração. A série continua investindo no drama para fugir da fórmula, mas o sarcasmo continua o mesmo. Falei mais aqui.

o serial killer e o escritor decadente

o serial killer e o escritor decadente

- Dexter, que vazou na internet bem antes da estréia da TV (que será agora dia 28/09), também voltou com um episódio regular, mas com um final intrigante, preparando terreno para uma nova etapa na vida do meu querido serial killer.

- Sem dúvidas, a melhor coisa até agora foram os dois episódios de Californication que também surgiram antes do previsto. Hank Moody continua desbocado e decadente, e está sendo ótimo vê-lo lutando contra essa sua natureza e seu libido para continuar com os amores de sua vida: sua “esposa” e sua filha. Mais sobre esses episódios de Dexter e Californication pode ser lido aqui.

Bom, não tem nada diretamente a ver com a fall season, mas eu não devia assistir Six Feet Under antes de dormir, pois acabo tendo sonhos muito perturbadores e bem realista. E eu sou um tipo de pessoa que sabe quando está sonhando. Eu sei, pode ser broxante às vezes, mas também recofortante no caso de pesadelos.

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