Não sei se é porque ando vendo muita ficção com cenas de terapia (inclusive uma série somente sobre isso: In Treatment*), mas hoje bateu uma vontade de voltar ao tempo (nem tão longínquo assim) do blog-desabafo. Porque, meus caros, eu sou meio cética quanto terapia. Para algumas pessoas essa ajuda profissional é tudo, para mim, nem tanto.
Minha forma de lidar com os meus sentimentos interiores, por assim dizer, talvez seja escrevendo, e eu não falo isso para aparentar um charme pseudo intelectual, tentando soar poético, não mesmo. Eu parto do pressuposto que alguém estranho ouvir minhas lamentações e tentar tirar daí alguma lógica escusa não me diz muito, além de não me agradar, sinto-me invadida (e com certeza alguém teria uma teoria sobre isso). Sou muito mais um amigo, que sem eu me revelar explicitamente, me entende, me poda e me encoraja, sabe como?
Enfim, a vontade de desabafar por aqui, nem que fosse nas entrelinhas, veio, eu combati, passou, retornou e, creio eu, está rodando, mas não cravou lugar. Então, (…). Sabe tudo que pode caber em reticências dentro de um parênteses? É intenso e devastador.
Aliás, alguns parênteses/asteriscos:
* Só para não fugir muito da nova “linha editorial”: In Treatment, série da conceituadíssima HBO, é uma espécie de Big Brother da psicanálise. Cada episódio é uma sessão de terapia (com uma duração em média de uma: meia hora), no qual invadimos o consultório do Dr. Paul e a vida de cinco dos seus pacientes (uma mulher desequilibrada, um ex-piloto bélico perturbado, uma adolescente transtornada e um casal em crise), um para cada dia da semana (o casal é no mesmo dia, a tal terapia de casal) e na sexta é o terapeuta que faz terapia.
Eu não me identifico com nenhum dos pacientes, em nada, os problemas deles são além da minha realidade (não estou dizendo que são maiores ou menores, apenas distintos), mas a minha preferida é a Sophie, a adolescente, são dela as sessões mais tensas. Também acho interessante a terapia do terapeuta, notamos quão vulneráveis podem ser esses profissionais, humanos acima de tudo, não é mesmo? Bom, às vezes essas sessões ficam meio cansativas, porque, imagino eu, deva retratar a terapia como ela é, porém as interpretações e o roteiro são incríveis. Enfim, fica aí a dica para quem gosta.
** Eu já falei de How I Met Your Mother por aqui? Não? Imperdoável! Meu novo sitcom preferido (talvez só perca para Friends). Aliás, parece com a história do sexteto do Central Perk, mas agora é um quinteto que bate ponto no bar Mclaren’s, na mesma Nova York, com o mesmo estilo de humor, mas com narrativa e personalidade própria. Estou adorando. Falei um pouco mais da série aqui.
*** Sexta tem Sex and The City, o filme. Quem mais já se sente na fila?
**** Os parênteses do post ficaram maiores que o próprio… melhor assim.
Transtorno de despersonalização é o desligamento de sensações exteriores. Consiste na persistência ou recorrente experiência de se sentir desligado, como se alguém fosse um observador de seus próprios processos mentais ou do corpo. Assim definiu Hudson (Matthew Perry), no filme Numb, sobre sua desordem metal. (Logo me lembrei de um trecho da música Underneath, do Hanson: “Waking up this morning, thinking this can’t be real”).
Bom, ele só queria ser uma pessoa feliz com pensamentos felizes e deter suas preocupações e sua ansiedade, como boa parte das pessoas normais, eu acho. Resultado: acabou com o tal do transtorno de despersonalização. E na busca de encontrar o caminho de volta à realidade, em busca da sua cura, ele apelou para tudo: remédios, família, exercícios físicos (por causa da endorfina), roubar (por causa da adrenalina) e diversas sessões de terapias com diversos psicólogos.
Lógico que me lembrei das sessões de terapia da Meredith Grey (em Grey’s Anatomy). Ela também tinha uma espécie de surtos de apatia generalizada, os dois são auto-destrutivos e estavam a um só passo de um completo desastre. Sem contar que a mãe ferrou com psicológico dela, assim como a mãe de Hudson fez com o dele. Só que a Dra. Wyatt foi bem mais eficiente do que todos os médicos de Hudson juntos.Sorte da Grey, azar do Hudson, que teve que tentar juntar seus pedaços sozinhos. Solução para ambos: deixarem de ser obstáculos para si mesmos.
O maior medo dele era ficar louco espontaneamente. Já Meredith, tem outra opinião sobre o assunto: “Não se pergunte por que as pessoas enlouquecem. Se pergunte por que não enlouquecem. Diante do que podemos perder num dia, num instante. Se pergunte que diabos é isso que nos faz manter a razão”.
Os dois tiveram um momento de redenção - lindos momentos, aliás. Porém, no fim ainda ficou uma incerteza no ar. Na quinta temporada de Grey’s, saberemos se Meredith está realmente liberta. Para Hudson, sobra meu otimismo.
Trailer do filme Numb (depois disso tudo, ainda preciso dizer que o filme é ótimo?):
“I don’t need therapy”: cena tragicômica de Grey’s Anatomy (só para notarem o quanto a Meredith é danificada - dark and twisty, como dizem - e o quanto a Dra. Wyatt se garante):
Segunda-feira, dia de começar a nova dieta, os novos planos, o novo emprego, o novo curso, a nova academia. Dia de decidir seguir em frente, de decidir terminar o namoro na próximo sexta, de sentir saudade do domingo nostálgico, ou do sábado bombástico, ou de algo que nunca teve, ou, talvez, do que sempre teve. Dia de planejar a próxima viagem, o próximo cinema, o próximo livro, o próximo café com os amigos. Dia de preguiça e de ter coragem pra se entregar ao ócio. De manter a arrumação da casa e começar (re) arrumar a vida. Dia de renovar ou prosseguir. Dia cotidiano ou de uma nova rotina. Dia de ultimatos e indecisões. Dia de fazer promessas, das quais metade você esquece na terça e provavelmente a outra metade não chegará nem até quinta. Dia morno, porém decisivo para toda a semana e, se bobear, para todo o mês, ano ou vida.
E quando a segunda-feira é exatamente uma quarta-feira? Ou, quem sabe, uma quarta chance?
“Eu não gosto de segundas-feiras, mas elas eventualmente vem”
(Lorelai Gilmore) - minha eterna filosofa de bar.
Algo estranho me acontece: uma mistura de otimismo e felicidade sem motivo. Nada estrondoso, no entanto. Apenas a ausência de uma angústia inveterada. Deve ser o inferno astral as avessas. Finalmente.
E, eu sei, devia ter receio desse “conformismo” em forma de alegria repentina, mas meu otimismo, por hora, não deixa. Já sentiram isso?