Sexta-feira 13

A data tem uma acunha macabra, sombria, amaldiçoada até.  Mas não foi esse o caso, foi o inverso. Bela, alegre e mágica.
Deu-se na cidade conhecida como o purgatório da beleza e do caos.  O caos foi a mistura de sotaques e a beleza emanava das pessoas amontoadas num quarto de hotel em Copacabana ou na frente de um palco, ali pelas bandas do Flamengo. Com cada uma, eu tinha uma história. Não importa se era de anos ou de meses, a intensidade era a mesma. Afinidades outrora instantâneas, ali se tornaram cumplicidade eterna e sem fronteiras. Algumas também tinham histórias entrei si e novas nasciam bem ali de baixo dos meus olhos orgulhosos dos meus. E foi tudo natural, afinal, como diz o poeta, eles se reconhecem.

Breve diário de viagem

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Adoro conhecer novos lugares, pessoas, entender a dinâmica e as peculiaridades de cada cidade, encontrar semelhanças, se encantar com as diferenças e notar que isso forma um bolo só (para o bem e para o mal): Brasil. E foi bem isso que aconteceu pelo Sul. Vamos por partes, ou melhor, por cidades.

Porto Alegre/RS

Juro que achei que ao desembarca na capital gaúcha naquela tarde ensolarada, eu realmente ia me deparar com um outro país. Mas não é que esse outro país parece bastante com o meu? Em termo de pessoas e arquitetura. Guardada as devidas proporções, claro. Enfim, não consegui conhecer muito de Porto Alegre, mas já simpatizei total com a cidade e seus habitantes.

No show dos Titãs que assistir por lá, no bonito e moderno Teatro Bourbon Country, a platéia estava animadíssima, e Paulo Miklos revelou uma vontade da banda de ser gaúcha por aquela semana (que fariam uma mini turnê pelo estado), em resposta, o público bairrista começou a gritar “eu sou gaúcho”. Com isso, Sergio Britto (e seu pé atrás com o ufanismo) alertou e sentenciou que somos, no final das contas, de lugar nenhum. Bem propício, já que eu, uma cearense, estava nessa viagem (e nesse show) acompanhada de uma gaúcha, uma catarinense e uma paranaense (depois ainda se juntaram mais duas dessa laia).

Lajeado/RS

Cidade pequena. Poucos táxis disponíveis. Hotel meia boca. Pessoas irritantemente efusivas. Lajeado foi a que proporcionou os momentos mais tragicômicos da viagem.

Não se tinha muito o que ver ou fazer por lá, mas o nosso único objetivo era chegar até Muçum, uma cidade ainda menor (bem menor), com por volta de 3 mil habitantes e mais ou menos uns 40 minutos de Lajeado. O show foi numa espécie de boate, com direito a todos os chatos tuts, tuts, tuts martelando no ouvido antes e depois do show. Sem contar os nossos companheiros de van, que insistiam em cantar de funks a hinos religiosos, passando, claro, por canções gauchescas. Dor de cabeça bombando.

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Passo Fundo/RS

Hora de começar a subir a serra. Assim que cheguei a Passo Fundo, vi que os nativos da cidade andavam bem agasalhados, o que me deixou temerosa. Afinal de contas, se eles estavam sentindo frio, eu iria congelar. E quase congelei mesmo, mas eu nasci para o frio (até minha pele e meu cabelo ficam melhores com os ares sulinos), então, tirei de letra.

O hotel era bacana, mas os funcionários eram meio panacas. Não entendia coisas obvias e se atrapalhavam tanto que até nos confundiam. Bom, o importante é que nessa altura da viagem, já éramos uma entrosada turma de seis pessoas maravilhosas. A sintonia era tanta que surgiam novas piadas internas a cada segundo. Sem duvidas, uns dos dias que mais ri na vida. Aliás, nesse dia ninguém dormiu, ficamos rindo até a hora de tomar café.

E em plena sexta-feira santa, andamos uns 35 km e fomos berrar os versos do bendito e maldito rock na também pequena Marau. Consta que o padre da cidade até tentou cancelar o show. De certo, nosso santo era mais forte.

Nova Prata/RS

Quase que eu e a caterinense fomos para Gramado encontrar com a amiga pernambucana, que estava passando o feriadão com a família por lá. Mas não encontramos uma vaga em hotel, nem um assento de ônibus sequer, portanto, seguimos subindo a serra gaúcha em direção a charmosa Nova Prata.

A cidade era tão pequena e encantadora, que os próprios taxistas nos aconselhava a ir a pé para os lugares. Arrastando malas, chegamos ao hotel-shopping, que por sua vez era, segundo a recepcionista, uma, duas, três ou quatro quadras no Grêmio Pratense, local onde teríamos que estar naquela noite.

O frio era grande, mas a noite foi cheia de calor humano. O mais memorável foi a música que Paulo Miklos dedicou a nós durante o show. Não existe o amor, apenas provas de amor. E a madrugada seguiu regada de champanhe, riso e rock’n'roll.

O dia seguinte era domingo de ramos, então, tivemos o nosso almoço pascoal. Um almoço um tanto quanto surreal, já que no mesmo recinto gastronômico estava a banda de rock e uma senhora que comemorava seus 80anos com toda família.

A comida do Estrela do Sul, restaurante de beira de estrada, deixou a desejar, mas como somos uma turma sensacional, nosso papo e nosso ovo de páscoa foram transcendentais. Você tem fome de quê?

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Águas de Chapecó/SC

Finada a turnê, fui com a catarinense para sua terra natal. Cidadizinha tranqüila e cheia de pessoas do bem, mas com um sotaque que às vezes me faziam duvidar se falavam realmente português. Quem sabe misturassem com o alemão ou italiano, tão comum para aquelas bandas.

Por lá, acabei até conhecendo uma hidrelétrica e provavelmente a metade da cidade. Gostei de tudo.

Curitiba/PR

Eu tinha uma paixão platônica pela cidade e não me decepcionei. Lugar lindo e verde. Frio e hospitaleiro. Conheci o oil man (figura pitoresca que besunta a pele de óleo e sai apenas de sunga pelas ruas da cidade), comi pinhão, andei muito, me encantei e constatei que eu nasci para morar pelo Sul, especialmente na capital paranaense.

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Em resumo, apesar de eu ter adorado o Sul e todos os shows, o melhor foram as pessoas que me acompanharam nessa maratona de passeio e música. Afinal, qual a probilidade de viajar com amigos que, em um olhar, você se dar conta que são praticamente de infância e que são pra sempre? Sem dúvidas, ganhei na loteria da amizade.

Asteriscos sobre o tour pelo Nordeste

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* A vida é cheia de pequeno prazeres, e eles, em sua esmagadora maioria, são fugazes. E a tentativa de prolongá-los pode ser muito frustante.

* João Pessoa tem os  cartões-postais mais enganosos que eu já vi. E os caixas eletrônicos de lá são esquisitos.

* São Luís tem as tarifas de táxi mais baratas, em compensação os cartões-postais mais caros.

* Lençóis Maranhense é realmente lindo.

* Já Porto de Galinhas não é essa coisa toda que divulgam, mas bem bonito também, como todo litoral que se preze.

* Eu amo Recife quase tanto quanto seus moradores amam. É a cidade mais ufanista que eu já conheci, além de incrivelmente cultural.

* Eu também amo minha Fortaleza. O melhor transporte urbano do Nordeste.

* Não se tem muito o que fazer em Natal se você não gosta de praia. Mas lá você pode até andar de dromedários! Awesome!

* Não importa o lugar, nem as condições climáticas. O horário, o motivo ou a programação. O que vale é a companhia, ela transforma uma tarde chuvosa dentro de um shopping maranhense em um momento inesquecível. Ou uma ida frustrada ao pôr-do-sol mais badalado da Paraíba em risadas e planos sonhadores para vida.

* Saudades dá depressão.

* Voltar à vida normal é difícil, principalmente quando você não está lá muito satisfeita com ela.

* Estou com preguiça da realidade. Às vezes sequer eu consigo dar conta de existir.

* Alguns momentos me fazem acreditar na vida. Algumas pessoas me fazem acreditar na humanidade. E tudo isso ainda me faz acreditar um pouquinho em mim.

* Eu tenho os melhores amigos do mundo.

* O 14 de março desse ano talvez tenha sido o melhor 14 de marços dos últimos 24 anos.

Águas de março

“Quem determina quando o velho acaba e o novo começa? Não é o calendário, não é um aniversário, nem um ano novo – é um evento”
(Meredith Grey, Grey’s Anatomy)

Apesar das sempre constantes chuvas de verão, dos meus sempre presentes resfriados por causa das chuvas de verão e  do fato de eu  ficar um ano mais velha exatamente nesse mês, eu adoro o mês de março.

Para muita gente, o ano começa depois do carnaval, para mim começa agora, depois do dia 14/03, o que na minha cabeça faz total sentido, já que sempre fui obcecada em ligar tudo à minha data de nascimento.

Whatever, fato é que dia 14/03 embarco numa tour pelo Nordeste com minha amiga do Sul. Partimos daqui de Fortaleza e passaremos por Recife, Porto de Galinhas, João Pessoa, Natal, São Luiz e Lençóis Maranhenses. Vou tentar postar sobre a viagem durante a mesma, mas caso não apareça, já sabem o motivo.

Feliz ano novo!